Existem dois tipos de jogos na Xbox Store.

Os que você compra porque parecem interessantes.

E os que você compra porque prometem 1000G antes mesmo do café esfriar.

À primeira vista, Arashi Gaiden parece pertencer à segunda categoria. Visual pixelado, proposta minimalista e aquela aparência de jogo que nasceu para alimentar a obsessão coletiva por conquistas fáceis. Você olha para ele e pensa: “só uma horinha e os 1000g vem”.

Só que o jogo tem outros planos.

E esses planos envolvem destruir sua confiança logo nas primeiras fases.

| O jogo em pilulas

  • Apesar da aparência simples, Arashi Gaiden exige concentração constante e pune erros sem piedade.
  • Mais do que atacar, sobreviver depende de entender exatamente como seu personagem se desloca pelo cenário.
  • As primeiras fases servem como tutorial disfarçado. Depois disso, a dificuldade sobe sem pedir licença.
  • Você não apenas reage aos desafios. Precisa planejar rotas, calcular riscos e antecipar ameaças.
  • O perigo raramente vem de um único elemento. O level design adora combinar ameaças para forçar decisões rápidas.
  • Quem entrou pensando em uma platina de fim de tarde provavelmente terá uma surpresa desagradável.

| Trailer

| Um Botão Para Andar, Mil Maneiras de Morrer

A mecânica principal é extremamente simples.

Você se move em linha reta até encontrar um obstáculo ou utiliza habilidades especiais para alterar sua trajetória.

O objetivo também é direto:

  • Sobreviver.
  • Eliminar inimigos.
  • Alcançar a saída.

Normalmente isso seria receita para repetição.

Mas Arashi Gaiden encontra maneiras inteligentes de expandir constantemente suas próprias regras.

Cada nova fase adiciona um detalhe, uma armadilha ou um inimigo diferente que muda completamente a forma como você precisa pensar.

| O Departamento de Crueldade do Level Design

Existe uma linha tênue entre dificuldade justa e pura maldade.

Arashi Gaiden dança sobre essa linha durante boa parte da campanha.

Os cenários são recheados de:

  • Espinhos posicionados cirurgicamente.
  • Plataformas móveis.
  • Explosivos.
  • Arqueiros extremamente irritantes.
  • Monges que atacam à distância.

E tudo isso costuma acontecer simultaneamente.

O resultado é um jogo que constantemente obriga o jogador a observar, planejar e executar.

Muitas vezes em questão de segundos.

| Gallery

| Quando a Ação Vira Xadrez em Alta Velocidade

O momento mais interessante de Arashi Gaiden acontece quando a ilusão finalmente acaba.

Se nas primeiras fases você estava pensando:

“Uma horinha aqui e já saio com meus 1000G…”

Quatro horas depois a conversa na sua cabeça é completamente diferente:

“Se eu for por aqui, me jogar desse lado, lançar uma shuriken e travar aquele inimigo… será que aquela armadilha se esquece de mim e não explode?”

É exatamente nesse momento que o jogo revela sua verdadeira identidade.

Você deixa de agir por reflexo e começa a planejar cada movimento como se estivesse disputando uma partida de xadrez em velocidade máxima. Cada inimigo, armadilha e plataforma passa a fazer parte de um quebra-cabeça maior.

Arashi Gaiden deixa de ser um simples jogo de ação e se transforma em um puzzle tático em tempo real. Estratégia, tentativa e erro e uma boa dose de adivinhação passam a ser ferramentas tão importantes quanto seus próprios reflexos.

E curiosamente, é aí que ele fica ainda melhor.

| Pixels Humildes, Desafio Gigante

Visualmente, Arashi Gaiden não impressiona.

O pixel art é funcional e bastante simples.

Isso pode afastar jogadores que procuram algo mais elaborado visualmente, mas também reforça o foco absoluto na jogabilidade.

É um daqueles casos em que a aparência vende uma experiência completamente diferente da que realmente existe.

| Na Ponta da Lâmina: Acertos e Derrapadas

Prós

  • Mecânicas simples e muito bem exploradas
  • Excelente sensação de aprendizado
  • Level design criativo e inteligente
  • Fator “só mais uma tentativa” extremamente forte
  • Mistura eficiente de ação e puzzle

Contras

  • Picos de dificuldade bastante agressivos
  • Pode frustrar jogadores casuais
  • Visual simples demais para alguns públicos

| Vale a Pena Jogar?

Se você gosta de jogos que exigem reflexo, raciocínio e muita tentativa e erro, Arashi Gaiden entrega exatamente isso.

Agora, se a ideia era apenas garantir conquistas rápidas enquanto assiste alguma série na segunda tela, talvez seja melhor procurar outro título.

Esse ninja não está aqui para facilitar sua vida.

| Gameplay

| Veredito Final: Muito Mais do que a Capa Faz Parecer

Arashi Gaiden

Arashi Gaiden é um daqueles jogos que adoram enganar o jogador.
A primeira armadilha não é um espinho escondido, um explosivo mal posicionado ou um arqueiro irritante. A primeira armadilha é a própria aparência do jogo.

Ele se vende como mais um título simples da Xbox Store, daqueles que muita gente compra pensando em aumentar o Gamerscore sem esforço. Mas bastam algumas horas para perceber que a proposta é outra. Muito outra.

Por trás do visual modesto existe um jogo surpreendentemente inteligente, capaz de transformar uma mecânica extremamente simples em uma experiência que exige raciocínio, planejamento e precisão constantes.

Nem todos terão paciência para seus picos de dificuldade ou para a quantidade de tentativa e erro necessária em algumas fases. Mas quem aceitar o desafio encontrará um jogo viciante, recompensador e muito mais profundo do que sua capa deixa transparecer.
Se você procura apenas conquistas fáceis, talvez seja melhor continuar procurando.

Agora, se você gosta daquela sensação de finalmente superar uma fase que parecia impossível cinco minutos atrás, Arashi Gaiden merece um lugar na sua biblioteca.
Porque às vezes o jogo mais difícil da sua semana é justamente aquele que parecia o mais inofensivo.
8.0 /10
Jogabilidade 7.0
Gráficos 9.0
História 7.0
Trilha Sonora 6.0
Duração 7.5

Autor

  • Gamer por paixão, programador de profissão, tenta manter de pé o site com sangue e suor, passa a maior parte do dia lidando com codigos e o que resta divide entre família, jogos e postar alguma coisa sem sentido no blog em idioma estranho, sou importado aqui... Joga tudo desde FPS até walking simulator, mas os quebra-cabeças são a sua paixão.

    Ver todos os posts


Descubra mais sobre Gamerscore Brasil

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Leave a comment

CAPTCHA