Existe uma tendência curiosa nos videogames modernos: quanto maior o mapa, melhor parece ser o jogo.

Temos mundos abertos que levam dezenas de horas para atravessar, centenas de marcadores no mapa e atividades suficientes para transformar uma campanha em uma segunda jornada de trabalho.

Aí aparece Sizeable e basicamente pergunta: e se a gente fizesse tudo pequeno?

A resposta é um puzzle compacto, visualmente limpo e extremamente agradável de jogar no Xbox. Em vez de entregar um mundo gigantesco para você explorar, o jogo coloca pequenos dioramas na sua frente e transforma cada um deles em um brinquedo interativo.

Você não está exatamente explorando um mundo.

Está desmontando um.

E, dependendo da sua capacidade de raciocínio, provavelmente também está desmontando a própria dignidade no processo.

| Pedacinhos de Sizeable

  • Sizeable prova que não é preciso construir um mapa gigantesco para criar puzzles interessantes. Cada diorama é compacto, mas cheio de possibilidades.
  • A mecânica de aumentar e diminuir objetos é simples de entender, mas gera soluções criativas e algumas boas doses de “e se eu fizer isso aqui?”.
  • O jogo não fica segurando sua mão o tempo inteiro. Você observa, experimenta e descobre a lógica por conta própria.
  • Além dos objetivos principais, existem segredos e tartarugas escondidas que incentivam olhar cada cantinho dos cenários.
  • O estilo não está ali apenas para ser bonitinho. Os cenários são claros, funcionais e ajudam a entender o que pode ou não ser manipulado.
  • Uma experiência tranquila, sem mundo aberto gigantesco, centenas de missões secundárias ou obrigação de transformar videogame em expediente.

| Trailer

| Game Jam, low-poly e a filosofia do “menos é mais”

Sizeable nasceu de uma Game Jam, e isso ajuda bastante a explicar sua filosofia.

Quando você não tem tempo para construir um RPG de 80 horas, talvez seja melhor descobrir como fazer uma única mecânica funcionar muito bem.

Foi justamente nessa direção que Sander Ambroos levou o projeto.

O resultado são pequenos cenários low-poly que parecem maquetes digitais. Mas não confunda simplicidade visual com falta de trabalho. Os dioramas são compactos, porém cheios de pequenas interações.

A ideia central é extremamente simples: alterar o tamanho das coisas para resolver problemas.

Uma montanha pode crescer. Um objeto pode encolher. Um elemento do cenário pode mudar completamente de proporção e, com isso, alterar o comportamento de todo o diorama.

É uma mecânica que parece trivial até você perceber que está há cinco minutos olhando para uma pedra pensando:

“E se eu aumentar essa porcaria?”

E, na maioria das vezes, essa é exatamente a resposta.

| O puzzle que não precisa ficar explicando que é um puzzle

Uma das melhores decisões de Sizeable é não transformar suas mecânicas em um curso obrigatório de pós-graduação.

O jogo apresenta o cenário e deixa você experimentar.

Não existe aquela sequência clássica em que um personagem aparece para explicar que:

“Para mover o objeto azul, pressione A.”

Obrigado, videogame. Eu teria levado três anos para descobrir.

Em Sizeable, a lógica é muito mais natural. Você observa, mexe, testa e entende.

Cada diorama funciona como uma pequena máquina.

Uma alteração aparentemente insignificante pode provocar uma reação em outra parte do cenário. Uma árvore pode esconder alguma coisa. Uma mudança de escala pode modificar um elemento da paisagem. Água, animais, objetos e estruturas acabam participando da mesma pequena equação.

É um design que recompensa curiosidade, não reflexo.

E isso faz uma diferença enorme.

| O método científico brasileiro: mexer em tudo até funcionar

O problema é que existe uma distância considerável entre entender a lógica e resolver o puzzle.

Você começa racionalmente.

Observa o cenário.

Analisa os objetos.

Pensa nas possibilidades.

Depois de algum tempo, a ciência vai embora.

Você aumenta uma pedra.

Diminui outra.

Mexe no sol.

Gira o cenário.

Testa uma coisa completamente sem sentido.

E então funciona.

Parabéns.

Você acaba de descobrir uma nova teoria da física.

É justamente esse processo de tentativa e erro que torna Sizeable tão agradável. Os puzzles não costumam exigir que você memorize uma sequência absurda de ações. Eles incentivam a experimentação.

Quando a solução aparece, existe aquela pequena satisfação de ter entendido a lógica.

Mesmo que, cinco segundos antes, você estivesse simplesmente apertando tudo como quem tenta consertar um controle remoto.

| Pequenos mundos, boas surpresas

O tamanho reduzido dos cenários também permite que o jogo trabalhe muito bem com exploração.

Os dioramas são pequenos o suficiente para não se tornarem cansativos, mas possuem detalhes suficientes para fazer você olhar duas vezes.

E aqui entram alguns dos melhores elementos opcionais.

As tartarugas escondidas, por exemplo, funcionam como uma espécie de teste de paciência para quem gosta de completar tudo.

Elas não ficam necessariamente esperando no meio do caminho com uma placa dizendo “COLETE-ME”.

Você precisa girar o cenário, procurar cantos, observar objetos e prestar atenção.

É um detalhe simples, mas funciona porque transforma uma fase que você já terminou em uma segunda pequena investigação.

O tipo de coisa que faz o jogador dizer:

“Só falta uma.”

Duas horas depois:

“EU SEI QUE ESSA TARTARUGA EXISTE.”

| Quando o som faz você perceber que está mexendo no mundo

Visualmente, Sizeable aposta no low-poly, mas o áudio ajuda bastante a vender a ideia de que aqueles dioramas são objetos vivos.

Pequenas mudanças têm respostas sonoras correspondentes, e isso dá peso às interações.

Água, madeira, vento e outros elementos ajudam a criar uma sensação tátil.

Não é um espetáculo audiovisual tentando arrancar lágrimas do jogador.

É algo mais inteligente: o jogo usa som para reforçar aquilo que você acabou de fazer.

Você aumenta alguma coisa e ouve a consequência.

Mexe em outra e o cenário responde.

Parece detalhe, mas é justamente esse tipo de retorno que deixa os puzzles satisfatórios.

| O Xbox como spa mental

E aqui está provavelmente o maior mérito de Sizeable.

Ele sabe o tamanho que precisa ter.

Não tenta transformar cada minuto da sua vida em conteúdo.

Não existe mapa gigantesco para limpar.

Não existe passe de batalha.

Não existe árvore de habilidades com 47 nós.

Não existe NPC pedindo para você atravessar metade do continente porque esqueceu uma colher em outra cidade.

Sizeable simplesmente entrega seus pequenos puzzles e deixa você brincar.

É uma experiência que funciona muito bem para sessões curtas, mas também consegue segurar uma jogatina mais longa.

Você pode resolver algumas fases enquanto espera alguma coisa acontecer ou sentar e terminar uma boa parte da campanha de uma vez.

É difícil sair mentalmente cansado de Sizeable.

No máximo, você sai desconfiando do tamanho de todos os objetos da sua casa.

| O que é do tamanho certo e o que não cabe

Prós

  • Puzzles criativos e intuitivos
  • Mecânica de escala simples, mas muito bem aproveitada
  • Cenários pequenos e detalhados
  • Excelente para sessões curtas
  • Visual low-poly bonito e funcional
  • Segredos incentivam a exploração

Contras

  • A simplicidade pode deixar alguns puzzles fáceis demais
  • A experiência é relativamente curta
  • Quem procura desafio extremo pode terminar querendo mais
  • A fórmula pode ficar um pouco repetitiva depois de várias fases

| Vale a pena jogar?

Sim — especialmente se você gosta de puzzles que valorizam observação e experimentação em vez de reflexos.

Sizeable não vai revolucionar o gênero.

Também não precisa.

Sua força está justamente em saber o que quer ser e não tentar parecer maior do que realmente é.

Os dioramas são bonitos, as mecânicas são intuitivas, a exploração é recompensadora e a curva de dificuldade consegue estimular o cérebro sem transformar cada fase em uma sessão de terapia.

É um daqueles jogos que lembram uma coisa que a indústria parece esquecer com frequência:

um jogo não precisa ser enorme para ser bom.

Às vezes, basta uma boa ideia, algumas dezenas de pequenos mundos e a possibilidade de transformar uma pedra em algo absurdamente grande.

O resto é problema da física.

| Gameplay

| Veredito de quem se perdeu nos dioramas

Sizeable

Sizeable não tenta ser o jogo que vai consumir seu próximo mês. Não quer centenas de horas, não quer transformar cada canto do mapa em uma checklist e muito menos convencer você de que diversão precisa ser proporcional ao tamanho da instalação.
Ele só quer colocar um pequeno mundo na sua frente e perguntar: “o que acontece se você mexer nisso?”
E funciona.
A mecânica de manipular o tamanho dos objetos é simples, mas o jogo consegue extrair dela puzzles suficientemente criativos para manter a curiosidade até o fim. O visual low-poly combina perfeitamente com a proposta, os segredos dão um motivo para revisitar os cenários e a experiência inteira tem aquela rara sensação de que alguém respeitou o tempo do jogador.
É verdade que Sizeable poderia oferecer mais. Alguns puzzles são fáceis, a duração é curta e, para quem procura desafios realmente brutais, a experiência provavelmente termina justamente quando o cérebro começa a pedir um pouco mais de trabalho.
Mas talvez essa seja a ideia.
Em uma indústria cada vez mais obcecada por fazer tudo maior, mais longo e mais cheio de coisas para fazer, Sizeable entende que tamanho não é sinônimo de qualidade.
É pequeno, tranquilo e não vai revolucionar sua vida.
Mas durante algumas horas, vai fazer você olhar para uma montanha, um animal ou uma árvore e pensar:
“E se eu aumentar isso?”
E, honestamente, já faz bastante tempo que um jogo não precisava de uma ideia mais complicada do que essa.
Sizeable é a prova de que um bom jogo não precisa ocupar 100 GB, durar 80 horas ou ter um mapa maior que uma cidade. Às vezes, basta uma boa ideia — e a liberdade para brincar com ela.
8.5 /10
Jogabilidade 8.0
Gráficos 9.5
História 7.0
Trilha Sonora 9.0
Duração 7.0

Autor

  • Gamer por paixão, programador de profissão, tenta manter de pé o site com sangue e suor, passa a maior parte do dia lidando com codigos e o que resta divide entre família, jogos e postar alguma coisa sem sentido no blog em idioma estranho, sou importado aqui... Joga tudo desde FPS até walking simulator, mas os quebra-cabeças são a sua paixão.

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