Existe jogo difícil… e existe R-Type. E aí existe um terceiro estágio chamado R-Type Dimensions III, que basicamente olha para sua autoestima gamer, dá um sorriso biomecânico e explode sua nave contra uma parede que apareceu do nada em menos de três segundos.
Desenvolvido pela Kritzelkratz 3000 e publicado pela ININ Games, o novo capítulo da coletânea Dimensions finalmente moderniza R-Type III: The Third Lightning, clássico originalmente lançado no Nintendo Super Nintendo. E sim: ele continua absurdamente cruel.
A diferença é que agora essa crueldade vem embrulhada em efeitos de iluminação bonitos, trilha remixada e resolução limpinha pronta para humilhar você em alta definição.
| 6 coisas importantes sobre o jogo
- Decorar ou morrer: Cada fase funciona como um quebra-cabeça assassino onde errar uma curva significa explodir instantaneamente.
- O remake respeita demais o original: As melhorias visuais são excelentes, mas a dificuldade de 1993 continua intacta — para o bem e para o mal.
- Seu reflexo sozinho não basta: Aqui não adianta apenas reação rápida: posicionamento e memorização são tudo.
- Pixel retrô ou remake moderno? Você escolhe: Trocar entre visual 2D clássico e gráficos 3D é um dos melhores recursos do pacote.
- Sofrer em dupla é mais divertido: O cooperativo local transforma desespero em caos compartilhado no sofá.
- Modo Infinito salva vidas… literalmente: A opção de respawn infinito torna o jogo acessível sem destruir sua essência brutal.
| Trailer
| O sadismo virou design de fase
Se você veio esperando um bullet hell tradicional cheio de milhares de projéteis coloridos, pode recalcular rota.
R-Type sempre foi um shmup diferente. Aqui, o verdadeiro inimigo não são apenas os tiros — são os cenários. Corredores apertados, paredes móveis, armadilhas fora da tela e mudanças repentinas de direção transformam cada estágio em um labirinto espacial infernal.
E honestamente? Tem momentos em que parece que o jogo quer prever seus pensamentos só para puni-los.
Os controles são extremamente responsivos. Você possui:
- tiro rápido;
- disparo carregado;
- gerenciamento da clássica “Force”;
- diferentes tipos de armamentos;
- alternância estratégica de equipamentos.
Tudo funciona muito bem. O problema é sobreviver tempo suficiente para aproveitar.
O design exige memorização absoluta. Não existe improviso. Não existe “vou no reflexo”. Você aprende morrendo — repetidamente — até decorar cada centímetro da tela.
E quando você acha que finalmente dominou a situação… aparece um chefe gigantesco que dura mais que uma reunião de condomínio.
O penúltimo chefe, inclusive, entra facilmente na categoria “experiência religiosa traumática”.
| Pequeno em conteúdo, gigante em intensidade
Apesar de possuir apenas 6 fases, R-Type Dimensions III consegue parecer muito maior graças ao nível absurdo de detalhe e pressão constante.
Cada bioma traz novos inimigos, padrões e obstáculos ambientais que mudam completamente a dinâmica do combate. O jogo força adaptação contínua e pune qualquer tentativa de jogar no automático.
O sistema de alternância entre gráficos 2D e 3D funciona surpreendentemente bem. E mais importante: não é apenas cosmético. Em alguns momentos, voltar para o visual clássico ajuda bastante na leitura da ação.
Já o modo “Crazy”, com câmera inclinada, é visualmente estiloso… mas funcionalmente caótico. Fica lindo em screenshot. Na prática, parece que alguém decidiu jogar sua percepção espacial no liquidificador.
Outro destaque importante:
- filtros CRT nostálgicos;
- trilha original clássica;
- remixes modernos com pegada pesada;
- leaderboards online;
- cooperativo local.
É um pacote claramente feito por gente que entende o peso histórico da franquia.
| O Império Bydo continua assustador
R-Type nunca foi uma franquia focada em narrativa explícita, mas seu universo continua sendo um dos mais icônicos dos shmups.
Os cenários biomecânicos, criaturas grotescas e estruturas orgânicas do Império Bydo ainda carregam aquela identidade perturbadora clássica da série. Existe uma atmosfera quase claustrofóbica durante boa parte da campanha.
Mesmo sem grandes diálogos ou storytelling cinematográfico, o mundo transmite personalidade visual o tempo inteiro.
E sinceramente? Poucos jogos conseguem fazer corredores espaciais parecerem tão hostis.
| O jogo funciona bem… talvez até bem demais
Tecnicamente, o trabalho é excelente.
Não encontrei bugs relevantes, quedas sérias de desempenho ou problemas críticos durante a jogatina. Os controles respondem com precisão cirúrgica — o que é obrigatório em um jogo que mata você em milissegundos.
O único ponto realmente controverso é a ausência de uma dificuldade intermediária mais amigável para novatos.
O Modo Infinito ajuda muito, mas ainda seria interessante ter:
- avisos visuais;
- checkpoints menos punitivos;
- dicas contextuais;
- opções modernas de acessibilidade.
Porque existe uma linha tênue entre “desafiador” e “o jogo claramente me odeia”.
E R-Type flerta perigosamente com ela o tempo inteiro.
| Onde o jogo ganha e onde tu perde
Prós
- Remake visual extremamente bonito
- Alternância instantânea entre 2D e 3D
- Trilha sonora excelente nas duas versões
- Jogabilidade precisa e responsiva Cooperativo local muito divertido
- Modo Infinito torna a experiência mais acessível
- Atmosfera clássica preservada com respeito
Contras
- Dificuldade brutal demais para grande parte do público
- Falta um modo intermediário mais acessível
- Algumas mortes parecem injustas na primeira tentativa
- Modo “Crazy” atrapalha mais do que ajuda
- Progressão pode frustrar rapidamente iniciantes
| Vale a pena jogar?
Se você ama shmups clássicos, jogos arcade brutais ou simplesmente quer testar seus limites emocionais, R-Type Dimensions III entrega exatamente aquilo que promete.
Agora… se sua tolerância à frustração é baixa, prepare-se.
Esse não é um jogo interessado em agradar todo mundo. Ele quer preservar a essência cruel da era arcade — aquela época em que videogame parecia uma batalha pessoal entre desenvolvedor e jogador.
A boa notícia é que o Modo Infinito finalmente abre espaço para jogadores mais casuais apreciarem a experiência sem precisar vender a alma para o Império Bydo.
| Veredito de quem morreu muito
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