A Supermassive Games sempre teve uma fórmula muito clara: transformar filmes de terror em experiências interativas onde cada escolha pesa mais que munição. Mas depois de alguns altos e baixos na primeira temporada de The Dark Pictures Anthology, existia uma sensação de desgaste. Parecia que o estúdio estava confortável demais repetindo sustos, QTEs e personagens fadados ao desastre.

Com Directive 8020, isso muda.

E muda bastante.

Abandonando fantasmas, cidades amaldiçoadas e lendas urbanas, o estúdio mergulha de cabeça na ficção científica paranoica, claramente inspirada em clássicos como Alien, The Thing e Event Horizon. O resultado é um thriller psicológico espacial que mistura horror corporal, desconfiança constante e sobrevivência claustrofóbica de um jeito que finalmente faz a franquia parecer evoluir — e não apenas repetir.

| Sobre o jogo

  • Horror espacial focado em paranoia: O jogo abandona fantasmas e lendas urbanas para apostar em ficção científica pesada, com inspiração clara em clássicos como Alien e The Thing. A tensão gira em torno da dúvida sobre quem ainda é humano dentro da nave Cassiopeia.
  • Sistema “Turning Points” revoluciona a narrativa: Pela primeira vez na franquia, é possível revisitar decisões importantes sem reiniciar toda a campanha. Isso aumenta drasticamente o fator replay e dá muito mais liberdade para explorar finais diferentes.
  • Nova câmera em terceira pessoa totalmente livre: Directive 8020 abandona os antigos ângulos fixos e traz uma exploração mais moderna e imersiva, deixando a experiência menos “filme passivo” e mais próxima de um survival horror tradicional.
  • Mecânicas inéditas de stealth e sobrevivência: Além dos clássicos QTEs e escolhas morais, o jogo adiciona furtividade, escaneamento de ambientes e perseguições biológicas que aumentam a tensão durante a campanha.
  • Visual impressionante com Unreal Engine 5: A iluminação claustrofóbica da nave, os reflexos e principalmente a captura facial dos personagens elevam muito a sensação cinematográfica da experiência.
  • Performance sólida no Xbox Series X|S: O jogo oferece três modos gráficos no Xbox Series X e ainda entrega um resultado técnico muito competente no Xbox Series S, algo que merece destaque dentro da nova geração.

| Trailer

| O Espaço Nunca Foi Tão Desconfortável

A bordo da nave Cassiopeia, a humanidade tenta encontrar uma nova chance de sobrevivência no planeta Tau Ceti F. Naturalmente, tudo dá errado.

Mas o grande mérito de Directive 8020 não está apenas no “o quê”, e sim no “como”. O jogo trabalha muito bem a paranoia. Você nunca sente que está totalmente seguro, e pior: nunca sente que realmente conhece os personagens ao seu redor.

Existe uma tensão constante no ar, porque o horror aqui não depende apenas de monstros pulando na tela. Ele depende da dúvida.

Quem ainda é humano?

Quem já foi substituído?

E quem está mentindo para sobreviver?

Essa construção narrativa segura muito bem o jogador, especialmente nas primeiras horas. O roteiro entrega mistérios em doses inteligentes, planta dúvidas o tempo inteiro e consegue encaixar algumas reviravoltas genuinamente fortes sem parecer forçado.

E sim… tem decisões absurdamente cruéis.

Daquelas que fazem você largar o controle por alguns segundos pensando:
“Ok… talvez eu tenha acabado de condenar metade da tripulação.”

| O Melhor Sistema Narrativo Que a Supermassive Já Criou

A maior evolução de Directive 8020 atende pelo nome de “Turning Points”.

E honestamente? Era exatamente isso que os jogos da Supermassive precisavam há anos.

O sistema funciona como uma árvore narrativa dinâmica que permite revisitar momentos-chave da campanha sem precisar rejogar tudo do zero. Parece simples no papel, mas muda completamente a relação do jogador com a narrativa.

Antes, experimentar finais diferentes exigia paciência quase masoquista. Agora, o jogo respeita seu tempo.

Mais importante ainda: ele aumenta absurdamente o fator replay.

Você começa querendo salvar um personagem específico… depois tenta descobrir uma rota alternativa… depois percebe que existe uma sequência inteira que nunca viu. Quando percebe, está preso naquele clássico ciclo de “só mais uma escolha”.

O único conselho aqui é simples: não fique obcecado olhando toda a árvore logo na primeira campanha. Parte da magia de Directive 8020 está justamente no peso da consequência inesperada.

E estragar isso seria um desperdício.

Gameplay: Menos Passivo, Mais Participativo

Quem jogou os títulos anteriores vai notar rapidamente que Directive 8020 tenta abandonar a sensação de “filme com botões ocasionais”.

A câmera agora é totalmente livre em terceira pessoa, o que já muda bastante a imersão. Explorar a Cassiopeia se torna mais natural, mais tenso e muito mais cinematográfico.

Além disso, o jogo adiciona mecânicas de stealth e sobrevivência que funcionam relativamente bem no começo. Escanear ambientes, evitar ameaças biológicas e se esconder nos corredores escuros cria momentos genuinamente nervosos.

Especialmente usando headset.

O problema é que a fórmula começa a mostrar repetição na metade final. A inteligência artificial dos inimigos nem sempre acompanha o nível da atmosfera, tornando algumas seções previsíveis demais.

Ainda assim, os tradicionais Quick Time Events continuam eficientes em criar pressão. E como sempre, um erro pequeno pode custar um personagem inteiro.

O clássico caos controlado da Supermassive continua vivo aqui.

| Performance no Xbox Series X|S: Um Showcase Disfarçado de Horror

Tecnicamente, Directive 8020 talvez seja o jogo mais impressionante que a Supermassive já lançou.

No Xbox Series X, o título oferece três modos gráficos extremamente bem ajustados:

  • Qualidade: 30fps com iluminação avançada via Lumen
  • Equilibrado: 40fps para TVs com 120Hz/VRR
  • Desempenho: foco total nos 60fps

E o mais curioso? Até o Xbox Series S segura a experiência com bastante dignidade.

A iluminação é facilmente um dos grandes destaques. Os corredores escuros da Cassiopeia criam uma sensação constante de desconforto visual, enquanto reflexos, sombras e partículas ajudam muito na imersão.

Tem momentos em que o jogo parece um filme da Netflix rodando em tempo real.

Especialmente durante closes faciais.

A captura de atores está absurda.

| Visualmente Impressionante… Mas Não Perfeito

Directive 8020 entrega alguns dos melhores cenários que a Unreal Engine 5 já mostrou dentro do gênero horror cinematográfico.

Só que existe aquele detalhe clássico da engine da Epic: às vezes ela brilha demais… e tropeça junto.

Algumas cenas apresentam ruídos visuais estranhos com luzes fortes ou estroboscópicas, além de pequenos problemas de frame pacing nos modos com menor taxa de quadros.

Nada que destrua a experiência.

Mas o suficiente para quebrar um pouco a ilusão cinematográfica em momentos específicos.

Também existe certa inconsistência entre personagens principais e secundários. Enquanto alguns rostos parecem praticamente reais, outros claramente receberam menos atenção no polimento.

Ainda assim, no saldo geral, o resultado visual impressiona muito mais do que incomoda.

| Luzes e sombras do jogo

Prós

  • Atmosfera espacial extremamente imersiva
  • Narrativa cheia de paranoia e tensão
  • Sistema Turning Points é excelente
  • Captura facial absurda
  • Ótima evolução estrutural da franquia
  • Excelente performance no Xbox Series X|S

Contras

  • Ritmo desacelera demais em alguns momentos
  • IA dos inimigos poderia ser melhor
  • Sequências stealth ficam repetitivas
  • Pequenos problemas técnicos da Unreal Engine 5

| Vale a Pena Jogar?

Se você procura ação constante, combate profundo ou gameplay tradicional, provavelmente não.

Mas se a ideia de participar ativamente de um thriller sci-fi cheio de escolhas, paranoia e mortes brutais te interessa, Directive 8020 entrega exatamente o que promete.

E talvez mais importante:
finalmente parece um passo verdadeiro para frente dentro da fórmula da Supermassive.

Não é só “mais um Dark Pictures”.

É o primeiro jogo da série que realmente parece pronto para definir um novo futuro para a franquia.

| Veredito de quem esteve lá

Directive 8020

Directive 8020 consegue algo raro: renovar uma fórmula já conhecida sem perder sua identidade. A mistura de horror espacial, narrativa paranoica e liberdade narrativa transforma o jogo em uma das experiências mais interessantes da Supermassive até hoje.

Mesmo tropeçando em problemas técnicos pontuais e em mecânicas que começam fortes mas cansam com o tempo, o saldo final é extremamente positivo.

Para fãs de ficção científica, cinema interativo e terror psicológico, esse é facilmente um dos títulos mais interessantes do ano dentro do gênero.
8.0 /10
Jogabilidade 7.0
Gráficos 8.0
História 8.0
Trilha Sonora 8.0
Duração 9.0

Autor

  • Gamer por paixão, programador de profissão, tenta manter de pé o site com sangue e suor, passa a maior parte do dia lidando com codigos e o que resta divide entre família, jogos e postar alguma coisa sem sentido no blog em idioma estranho, sou importado aqui... Joga tudo desde FPS até walking simulator, mas os quebra-cabeças são a sua paixão.

    Ver todos os posts


Descubra mais sobre Gamerscore Brasil

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.