Tem jogo que tenta te impressionar pela escala. Outros pela dificuldade. E tem aqueles raros casos onde tudo que ele quer é te lembrar de uma sensação. Mixtape entra exatamente nessa última categoria.
Desde os tempos das lives na Mixer, quem me acompanha sabe que eu tenho um carinho absurdo pelo cenário indie. E poucas publishers entendem tão bem o peso emocional de um jogo quanto a Annapurna Interactive. Eles não vendem apenas gameplay; eles vendem experiências que ficam ecoando na cabeça dias depois de terminar os créditos.
E Mixtape talvez seja um dos exemplos mais honestos disso.
| As Faixas Que Definem Mixtape
- A música não acompanha a narrativa, ela É a narrativa: Cada faixa funciona como uma memória viva, transformando momentos simples em cenas emocionalmente gigantes.
- Uma cápsula do tempo dos anos 90: O jogo recria perfeitamente aquela sensação de adolescência rebelde, insegura e caótica antes da vida adulta começar de verdade.
- Uma última noite que parece infinita: Toda a aventura gira em torno daquela sensação universal de despedida entre amigos que sabem que nada será igual depois dali.
- Direção de arte que parece capa de álbum antigo: Visual psicodélico, cinematográfico e cheio de personalidade, misturando sonho, nostalgia e melancolia.
- Rebeldia adolescente escrita de forma humana: Mixtape entende que crescer também envolve decisões idiotas, crises existenciais e tentativas desesperadas de se sentir livre.
- Gameplay simples, mas emocionalmente eficiente: Não espere mecânicas complexas. O foco aqui é totalmente na experiência sensorial e narrativa.
- Uma curadoria musical absurda: Com nomes como Joy Division, Iggy Pop e Siouxsie and the Banshees, o jogo cria uma das atmosferas mais fortes dos indies recentes.
| Trailer
| Uma Road Trip Emocional Embalada por Fitas Cassete
A primeira coisa que Mixtape deixa claro é que ele não quer competir com jogos gigantescos de mundo aberto ou sistemas complexos. A proposta aqui é outra: transformar lembranças em gameplay.
A estrutura lembra bastante aventuras narrativas da era Telltale Games, mas sem aquela obsessão moderna por escolhas morais, múltiplos finais ou consequências dramáticas. Aqui, a experiência é linear, e curiosamente isso joga a favor do jogo.
Você não está moldando o destino de ninguém.
Você está vivendo uma despedida.
O foco acompanha três amigos em sua última noite antes da formatura do ensino médio, naquele momento estranho da vida onde tudo parece ao mesmo tempo possível e assustador. E Mixtape entende muito bem esse sentimento de “fim de fase” que quase todo mundo já viveu.
A diferença é que ele traduz isso através da música.



| A Trilha Sonora Não É Fundo Musical. Ela É a Narrativa
Muita gente usa músicas famosas como ferramenta de marketing. Mixtape usa música como linguagem emocional.
Cada faixa parece escolhida para ativar uma memória específica. E quando entram nomes como Iggy Pop, Joy Division, DEVO, Roxy Music e Siouxsie and the Banshees, o jogo praticamente vira uma cápsula do tempo interativa.
E aqui existe um detalhe muito interessante: embora a ambientação seja totalmente inspirada no início dos anos 90, a curadoria musical mistura décadas diferentes para criar uma sensação universal de juventude. Não importa se você viveu aquela época ou não, o sentimento funciona.
Mixtape entende uma coisa que muita obra nostálgica esquece: nostalgia não é sobre datas. É sobre emoções.
| Quando o Jogo Percebe Que Você Também Faz Parte da História
Um dos detalhes mais brilhantes de Mixtape é a forma como ele brinca com a quebra da quarta parede.
E não daquela maneira exagerada ou caricata que virou tendência em várias produções recentes. Aqui isso acontece de forma extremamente natural e emocional.
Em determinados momentos, Mixtape parece entender que o jogador não está apenas assistindo às memórias daqueles personagens, ele também está revisitando as próprias lembranças junto deles. A narrativa cria situações sutis onde o jogo praticamente conversa com quem está segurando o controle, reforçando sentimentos de nostalgia, despedida e amadurecimento.
Isso cria uma conexão raríssima.
A sensação é de que Mixtape entende perfeitamente o peso emocional da juventude e usa essa consciência para aproximar jogador e narrativa sem quebrar a imersão. Pelo contrário: fortalece ela.
É uma quebra da quarta parede usada como ferramenta emocional, não como alívio cômico. E talvez seja exatamente por isso que funciona tão bem.
| Rebeldia Adolescente, Crises Existenciais e Decisões Idiotas
O jogo também acerta muito na forma como retrata o comportamento adolescente sem transformar tudo em caricatura.
Existe rebeldia.
Existe insegurança.
Existe aquele medo silencioso de que a amizade talvez não sobreviva à vida adulta.
E tudo isso aparece de forma natural, enquanto o trio sai em busca de álcool para uma festa que, no fundo, funciona só como desculpa para revisitar memórias, frustrações e pequenos momentos que parecem bobos… até você perceber o quanto eles definem quem você é.
Mixtape não tenta romantizar crescer.
Ele mostra que amadurecer também significa aceitar despedidas.
| Visualmente, é um dos Indies Mais Bonitos dos Últimos Tempos
A direção de arte é absurda.
O estúdio Beethoven & Dinosaur, os mesmos criadores de The Artful Escape, mais uma vez entrega uma identidade visual extremamente estilizada, psicodélica e carregada de personalidade.
Tudo parece sonhador, exagerado e levemente melancólico.
Não existe preocupação em ser realista. O objetivo aqui é ser emocionalmente verdadeiro. E honestamente? Funciona muito melhor assim.
Tem cenas que parecem capas de álbum perdidas entre 1989 e 1995.





| Jogabilidade Simples… Talvez Simples Até Demais
Aqui provavelmente está o ponto que mais vai dividir opiniões.
Se você procura gameplay profundo, sistemas complexos ou desafio mecânico, Mixtape talvez não seja seu jogo. Grande parte da experiência funciona através de interação contextual, exploração leve e narrativa guiada.
E isso pode afastar quem espera algo mais “gameplay first”.
Mas também seria injusto cobrar isso de uma proposta que claramente quer funcionar quase como um filme interativo musical.
O importante é entrar sabendo exatamente o tipo de experiência que ele oferece.
| O que entra na top10 e o que nem chega perto
Prós
- Trilha sonora absurdamente bem selecionada
- Direção de arte memorável
- Narrativa emocional sem exageros forçados
- Atmosfera nostálgica extremamente eficiente
- Excelente ritmo cinematográfico
Contras
- Jogabilidade simples pode afastar parte do público
- Estrutura linear limita rejogabilidade
- Algumas pessoas podem sentir falta de escolhas mais impactantes
| Vale a Pena Jogar?
Sim. Principalmente se você gosta de experiências narrativas focadas em emoção, música e atmosfera.
Mixtape não quer ser revolucionário em mecânicas. Ele quer fazer você sentir alguma coisa. E no fim das contas, consegue.
É aquele tipo de indie que provavelmente não vai agradar todo mundo… mas para quem entrar na proposta, dificilmente será esquecido.
| Veredito de quem deu play e ouviu todas as musicas
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