Fala gamers, beleza? Eu não gosto muito de comentar sobre assuntos polêmicos, mas o tema Xbox foi bastante debatido dentro do WhatsApp eu vim trazer a minha opinião sobre o fechamento dos estúdios Arkane Austin e Tango Gameworks em uma decisão que podemos dizer no mínimo contraditória por parte da Microsoft. 

Recentemente Sarah Bond, presidente do Xbox, deu uma entrevista para a Bloomberg e falou sobre diversos temas como: a estagnação da indústria de games, a situação da base de fãs do Xbox, o que esperar depois desses fechamentos e muito mais. 

Então sem mais delongas, eu sou o Lemm e juntos vamos analisar essa treta. Sejam todos bem-vindos ao artigo. 

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Entenda o Caso 

Tudo começou dia 07 de maio desse ano, quando o perfil oficial da Arkane Studios declarou o seu fechamento no X após decisão da própria Microsoft através da Bethesda conforme a reportagem da IGN. Para quem não tá ligado, a Bethesda é do grupo ZeniMax, adquirido em 2020 e responsável por alguns estúdios, como a Bethesda de Fallout, id Software de Doom, Arkane Studios de Dishonored, MachineGames de Wolfenstein e Zenimax Online de Elder Scrolls Online. Então agora você já sacou a relevância da empresa né? 

Após essa declaração, muitos fãs e haters movimentaram as redes sociais viralizando memes, críticas e chacotas. Mas vocês sabem que o nosso trabalho aqui é justamente observar fora dessa camada e procurar entender os assuntos de forma crítica. “Então vamo nessa”. 

Essa discussão toda nas redes sociais começou justamente por causa de uma reportagem da The Verge que aponta a falta de coerência ou podemos dizer sintonia entre as falas de Matt Booty, chefe do Xbox Studios, que disse um dia antes dos fechamentos dos estúdios a seguinte frase: “Nós precisamos de jogos menores que nos tragam prestígio e prêmios”. 

Qualquer fã ficaria no mínimo confuso com essa declaração, porque um dos estúdios fechados foi exatamente a Tango Gameworks, que entregou recentemente um título aclamado pelos usuários e a crítica: Hi-fi Rush. Não só o jogo é pequeno como também ganhou vários prêmios, isso deixou todo mundo mais confuso. 

Engrossando o caldo dessa sopa de treta, Aaron Greenberg, vice-presidente de marketing do Xbox, declarou na sua conta oficial do X o seguinte: ”Hi-Fi RUSH foi um grande sucesso para nós e nossos jogadores em todas as principais medidas e expectativas. Não poderíamos estar mais felizes com o que a equipe da Tango Gameworks entregou com este lançamento surpresa.” E para fechar com chave de ouro, a presidente do Xbox deu entrevista para a Bloomberg que por sua vez não deixou de tocar no assunto. 

A Entrevista 

Vamos ver as principais perguntas da entrevista enquanto dou a minha opinião. 

Logo de cara a entrevistadora afirma que o CEO Phil Spencer e Sarah estariam aumentando o alarme em volta da indústria de vídeo games que não está crescendo. Ela questiona o que estaria causando isso e como o Xbox pode dar a volta por cima dessa situação. 

Sarah respondeu que durante os últimos anos o setor tem estado estável e que mesmo em 2023 grandes releases chegaram, porém o crescimento não tem refletido essas entregas. Tudo estaria relacionado a trazer novos jogadores, fazendo jogos mais acessíveis, mas tudo isso vem acontecendo ao mesmo tempo que o custo associado a criar jogos AAA vem subindo juntamente com o tempo para fazê-los.

Segundo ela, o foco do Xbox é como fazer coisas para ajudar a indústria enquanto garantem que estarão lá nesse momento de transição. 

O que ela quis dizer basicamente é que o número de jogadores não vem crescendo da forma necessária para manter a quantidade, qualidade e frequência de jogos AAA. 

Isso quer dizer galera, que a saúde da empresa pode estar comprometida caso a estratégia atual continue sendo aplicada. É por isso que eles estão em busca de expandir a acessibilidade através do xCloud cuja única barreira é a internet, já que os jogadores não precisam de hardware para jogar. Além disso a gente sabe que todo mundo hoje tem celular e que o serviço da Microsoft também está disponível nessa plataforma. Então é para aí que eles devem estar olhando. 

Em seguida é perguntado sobre o fechamento dos estúdios Microsoft e como nós gamers devemos entender esse movimento, já que a empresa se compromete em desenvolver jogos inovadores e exclusivos. Pra mim, uma pergunta mais que pertinente. Agora escuta e analisa comigo a resposta. 

Sarah diz que é extremamente difícil tomar tais decisões e que quando olhamos para as tendências fundamentais, se referindo a estagnação da indústria, temos uma responsabilidade profunda de garantir que nossos jogos, serviços e dispositivos estejam lá, seja em momento de crise, seja em momentos de crescimento. 

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Ela completa dizendo que o fechamento dos estúdios é um resultado dessa mentalidade. Ou seja, ela tá dizendo que pra a Microsoft continuar no mercado de games de forma sustentável, foi necessário diminuir os custos e esses estúdios tiveram que ser sacrificados. É engraçado como ela evita dizer as palavras fechamento e crise durante toda a entrevista. 

Ela tentou reforçar o compromisso da empresa em continuar tendo os seus próprios estúdios enquanto trabalha com parceiros com o intuito de entregar tanto os jogos grandes quanto os pequenos. Ela também falou sobre esse compromisso tentando tranquilizar os fãs, porque na minha opinião muita gente, incluindo eu, ficou com medo de que esses fechamentos representassem um retrocesso nos títulos do Xbox. 

Vê só a nossa situação, nos últimos meses vemos a Microsoft comprando vários estúdios pra de repente anunciar o fechamento de alguns, incluindo o que criou o seu jogo de maior sucesso em 2023. Daí a gente chega aqui em mais uma contradição, ora, se Hi-fi rush superou as expectativas como afirmou Aaron lá no começo, por que então a Tango foi fechada? 

A verdade é que não teremos tão cedo o motivo real do fechamento do estúdio, já que nem os números das vendas foram divulgados até o momento desse vídeo. Então qualquer coisa que a gente falar aqui vai ser especulação. Tudo que podemos afirmar é que para manter o equilíbrio financeiro a Microsoft mirou em alguns estúdios e infelizmente a Tango acabou caindo na mira. 

Eu não acho impossível por exemplo a continuação dessa franquia sendo feita dentro da própria Bethesda, já que o jogo mostrou o seu valor e foi muito bem elogiado. Lembrem-se que fechar um estúdio não necessariamente representa a morte da franquia. Como os direitos provavelmente continuam mantidos, nada impede que voltem a tocar no título no futuro, principalmente se ele realmente trouxe um lucro acima do previsto. 

A partir daí a presidente do Xbox focou em dizer o quão eles querem manter todos os usuários jogando através de todas as plataformas e a necessidade de manter os jogos jogáveis independentemente da geração atual. Ou seja, jogue tudo para sempre seja lá qual for seu hardware. 

Nesse momento a repórter insiste se referindo à Tango e diz que uma das coisas que mais perturbou os gamers e os funcionários foi que um dos estúdios fechados criou um jogo de sucesso recentemente. Esse jogo além de trazer engajamento trouxe vários prêmios para a plataforma. Oxe, esse sucesso não deveria ter garantido o futuro do estúdio? 

Daí aqui eu vou ter que repetir exatamente o que foi falado para em seguida dar a minha opinião. Ela respondeu:  

“Uma das coisas que eu realmente amo na indústria de jogos é que ela é uma forma de arte criativa. E isso significa que a situação e os sucessos de cada jogo em estúdio também são realmente únicos. Não existe um tamanho único para nós. Olhamos para cada estúdio, cada equipe de jogo e para toda uma variedade de fatores quando nos deparamos com a tomada de decisões. Mas tudo se resume ao nosso compromisso de longo prazo com os jogos, recriar os dispositivos que construímos, os serviços e garantir que estamos nos preparando para poder cumprir essas promessas.” 

Galerinha… Chegamos aonde realmente importa. Não tinha como ela não se posicionar e ela teve que nos dizer o que realmente aconteceu. A sua extensa fala mostrou que toda a decisão foi tomada levando em consideração todos os estúdios e suas equipes. Segundo a avaliação da própria Microsoft os quatro estúdios tiveram que sair porque era necessário manter-se saudável, e quando a gente fala saudável aqui a gente tá falando de dinheiro né pessoal? Eles removeram o que pra eles eram os estúdios menos importantes para o futuro da empresa. 

Tanto é que a Roundedhose Games não foi fechada e todo mundo jogado na rua. Eles se juntaram a ZeniMax Online Studios. Algo parecido aconteceu com a Arkane Austin, que teve alguns membros anexados a Bethesda. O maior impacto aconteceu na Tango Gameworks e Alpha Dog Studios. Hi-fi Rush continua normalmente em todas as plataformas, mas Mighty Doom será encerrado em agosto. 

Daí a partir daqui o foco passa a ser mobile. Já que dos 3 bilhões de jogadores, 2 bilhões estão presentes nos celulares, sendo 1 bilhão desses consumidores de outras plataformas também. É um número bastante expressivo que está pesando na estratégia da empresa. Eles pretendem seguir com a criação da loja de games para dispositivos móveis em julho e continuar investindo no xcloud, que segundo Sarah tem mais gamers do que eles têm capacidade de suportar. Não só isso, o cloud gaming é um mercado em ascensão, indo na contramão do que foi falado anteriormente. 

De fato, o xcloud tem sido o diferencial no Xbox. Tornar tudo uma plataforma única onde cada jogador possa jogar o seu jogo e interagir com os seus amigos independentemente de onde esteja jogando é algo mágico e que há alguns anos era impensável. 

Eu estou falando aqui de cross-save, cross-platform e um ambiente universal. Essa foi a estratégia apresentada por eles. Os estúdios continuam, os jogos continuam, mas o foco estará em tornar tudo isso interligado através de uma comunidade multiplataformas. 

Imagine ter o seu perfil gamer presente nos jogos que você joga no PC, no celular e no console. É realmente uma boa ideia, principalmente porque os jogos estarão disponíveis entre essas plataformas de forma transparente. É como já funciona hoje para alguns jogos, onde é possível continuar seu save em qualquer dispositivo. 

A presidente do Xbox também disse que vão começar apenas com os jogos deles em uma loja virtual e que pretendem expandir para seus parceiros assim que as coisas estiverem indo bem. Nessa altura é perguntado sobre a estratégia de deixar os seus jogos disponíveis em todas as plataformas e se essa decisão foi boa além de como estaria a recepção desses jogos no Playstation. 

Ela responde que eles têm observado uma boa recepção, mas que não têm dados para compartilhar no momento. Além de reforçar que o Xbox vem colocando seus jogos em várias plataformas há muito tempo. Basicamente eles pretendem seguir com essa estratégia e isso estaria trazendo resultados. 

Foi aqui que outra pergunta genial é levantada. Muitos dos jogadores de Xbox andam preocupados que a empresa esteja diminuindo o foco no hardware e que não valeria mais a pena seguir no console, já que não há mais exclusividade de jogos. 

A resposta girou em torno de que essa é uma preocupação de toda a indústria. É engraçado que a resposta da Microsoft para isso é trazer um hardware mais forte enquanto cria uma plataforma única para todos os gamers. 

Não concordo muito com a lógica dela de que os gamers mais hardcore não estariam abandonados. Principalmente porque eles pretendem manter os jogos acessíveis independente da geração. Isso funciona como uma barreira para a criação de tecnologias exclusivas de uma determinada geração. Na minha opinião console e PC passam a estar associados a usuários menos casuais enquanto mobile e cloud vão servir como porta de entrada da plataforma. 

Isso quer dizer que os jogos vão seguir um padrão tecnológico em comum. Eu não vou mentir. No fundo eu sinto um pouco de falta de sentido em ter um Xbox quando penso sobre toda essa uniformidade na plataforma. Isso é sim uma característica positiva, mas na minha opinião vai tirar mais gente ainda do console da Microsoft. 

Não tem nada melhor do que jogar deitado num sofá bem confortável no seu console devidamente plugado em uma TVzona ou quem sabe jogar antes de dormir na sua cama com o controle na mão. A grande questão é que o console já atendida a uma gama de jogadores casuais. É inegável que se você pensar em competitividade você vai pensar em PC. 

Agora acompanha meu raciocínio. O hardware do console é inferior tanto em processamento quanto na capacidade de receber comandos, já que é limitado pelo joystick. Isso está mudando com a iniciativa do Xbox de fazer o seu console aceitar mouse e teclado em diversos jogos. 

Pra mim o console passará a fazer sentido quando o gamer tiver um orçamento um pouco mais apertado, já que é inegável que o dinheiro gasto num console versos PC vai te trazer muito mais hardware. É aquele velho meme: “Esse jogo roda a 120 FPS no PC, mas o seu PC roda esse jogo a 120 FPS”?  

Muita gente que defende o PC se gaba dizendo que pode jogar diversos jogos a 60, 120, 240 FPS em resoluções inimagináveis, mas a grande verdade é que a maioria da população não tem acesso a esse tipo de hardware, então para mim é aqui que está o mercado de consoles. A gente vê muito o termo placa de vídeo de entrada ou placa de vídeo “high end” quando estamos comprando uma placa de vídeo, certo? 

Esse cenário é exatamente o que está acontecendo com os hardwares para gamers genericamente falando, é claro. Na minha analogia o celular representa a placa de vídeo de entrada, enquanto o console passa a ser a placa de vídeo mid e o PC a placa de vídeo high end. 

Vamos chegar a um patamar onde pensaremos no investimento total pra se jogar e não mais em um amontoado de planilhas comparando preços de peças de computador de entrada. Os novos gamers chegarão pelo cloud e celular a baixíssimo custo. Naturalmente vão querer maior jogabilidade ou competitividade, podendo migrar para o console ou computador dependendo do dinheiro disponível, por isso eu acho que em certa medida a estratégia do Xbox está correta. 

Minha única preocupação é que a qualidade dos jogos caia, já que o custo e o tempo vêm aumentando em uma velocidade diferente da quantidade de usuários. Impactando o lucro. 

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Conclusão 

Na minha opinião estamos chegando em uma fase que outras indústrias outrora muito robustas chegaram. Lembra da indústria de filmes? Que teve um período em que as pessoas só assistiam no cinema, depois passou pela era do aluguel de filmes em locadoras, depois a era do torrent e por fim chegamos aos streamings de vídeo acessível para todo mundo? 

É isso que está acontecendo com os jogos em certa medida. Chegamos aqui ao final de um capítulo da indústria de jogos e estamos presenciando o virar da página, que nos trará outra perspectiva de jogar. Muitos gamers mais antigos vão receber essa mudança de uma forma negativa, mas a verdade é que no capitalismo tudo se transforma em prol do aumento da eficiência visando o lucro. 

Especificamente sobre a qualidade de jogos no Game Pass, podemos esperar por parte dos estúdios Microsoft mais foco em grandes títulos para poderem competir com o seu principal rival: Sony. A própria presidente deixou claro que eles pretendem subir o nível e trazer títulos de peso para a sua plataforma ao mesmo tempo que abrem o leque de opções para os assinantes do Game Pass. 

O que não ficou claro para mim é se eles vão ter o orçamento e a capacidade de competir com uma empresa tão bem-posicionada. Principalmente porque é inegável que os exclusivos do Playstations fazem mais sucesso. Eu acho que essa fase de estagnação e pressão dentro da indústria no fundo é uma oportunidade para a Microsoft se superar e tentar alcançar a rival que também passa por mal bocados. 

Alguma ginástica financeira além de fechar estúdios vai ter que ser feita por causa do atual crescimento do custo de desenvolvimento de jogos grandes e eu estou muito curioso qual vai ser a solução das empresas. Acho que já entendemos o posicionamento do Xbox e tudo que podemos fazer agora é jogar e se adaptar ao novo cenário. 

Somos privilegiados porque esse mal-estar está acontecendo em um setor voltado ao lazer e que não trará impacto negativo significativo às nossas vidas. Não esquece de me seguir nas redes sociais e a gente se vê por aí. Muito obrigado por participar até aqui. 

Link com a entrevista completa: https://youtu.be/oIpc8VZ3Bnw?si=kVSXJJCwN2rIEApy 

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Autor

  • Lemm

    Sou ex-engenheiro de software, fundador do Clube Cultura Gamer (CCG), e narrador de tabletop RPG de horror. Amo os jogos eletrônicos desde 1997. Me considero um Sommelier de Games. Sou apaixonado por detalhes, histórias e mecânicas. Adoro debates fundamentados. Dou preferência a games sandbox, colony management sim, co-op, survivor e RPG. Também gosto de conversar sobre investimentos, política e a rotina da vida. Aperta o PLAY!

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