Tem jogo que quer testar seus reflexos. Tem jogo que quer destruir sua paciência. Tem jogo que coloca 47 inimigos na tela, três barras de energia e decide que você não merece respirar.

Woodo olha para tudo isso, toma um chá, senta numa cadeira de balanço e pergunta:

“E se a gente simplesmente… montasse umas pecinhas?”

E é exatamente isso que você faz.

Desenvolvido pela Tiny Monks Tales e publicado pela Daedalic Entertainment, Woodo é um puzzle 3D construído em torno de dioramas de madeira. A proposta é simples: encontrar cada objeto, encaixá-lo no lugar correto e, pouco a pouco, transformar uma maquete sem vida em uma pequena cena cheia de cor, movimento e histórias.

Parece simples.

É simples.

E justamente por isso funciona tão bem.

| O jogo em pecinhas

  • Dioramas que você monta peça por peça
  • Uma história sobre infância, mudança e descoberta
  • Trilha sonora tranquila e ambientação extremamente aconchegante
  • Exploração de pequenos detalhes e objetos escondidos
  • Sub-dioramas, segredos e bonecos para encontrar
  • Um ritmo deliberadamente lento, sem pressão ou punição

| Trailer

| Uma história contada em pedaços

Woodo acompanha Foxy, uma garota que sai da vida na cidade e passa um período no interior, onde acaba descobrindo um mundo completamente diferente daquele ao qual estava acostumada.

É através dos dioramas que essa história vai sendo construída.

E aqui está uma das melhores ideias do jogo: você não simplesmente assiste à história. Você monta as lembranças que formam essa história.

Cada cenário começa praticamente como uma maquete incompleta. Tudo tem aquele aspecto cru de madeira, como se alguém tivesse acabado de abrir uma caixa de brinquedos.

Então você começa a procurar.

Uma peça aqui.

Outra ali.

Um objeto escondido atrás de outro.

Uma pequena parte que estava dentro de um sub-diorama.

E, conforme tudo encontra seu lugar, aquele cenário ganha vida.

A madeira ganha cor.

Os personagens começam a se movimentar.

Pequenas animações aparecem.

E aquela maquete deixa de parecer uma coleção de peças e passa a parecer um fotograma congelado de uma vida.

A história de Foxy e Ben é construída dessa maneira, através de momentos cotidianos, descobertas e mudanças.

É quase como abrir um álbum de fotografias de alguém que você nunca conheceu.

Só que, em vez de virar páginas, você precisa montar cada fotografia.

| O gameplay que se recusa a ter pressa

Aqui está a parte que pode afastar quem espera um puzzle tradicional:

Woodo não quer te desafiar.

Ele quer que você observe.

O gameplay consiste basicamente em encontrar os objetos apresentados e colocá-los nos lugares corretos do cenário. Parece um jogo de objetos escondidos, mas a estrutura tridimensional faz toda a diferença.

Você pode girar o cenário, aproximar a câmera, explorar diferentes ângulos e procurar aquelas pecinhas que resolveram fazer cosplay de agulha no palheiro.

E algumas estão realmente escondidas.

Outras ficam atrás de objetos.

Algumas só aparecem depois que você completa pequenas áreas do próprio diorama.

Existem até sub-dioramas dentro dos cenários principais, que funcionam como pequenas caixas dentro da caixa.

E quando a visão humana falha — porque aparentemente não fomos projetados para localizar uma pecinha de madeira de cinco milímetros atrás de uma cadeira de madeira — o jogo oferece ajuda.

Você pode pedir uma dica.

E não existe aquela sensação irritante de estar sendo punido porque não encontrou um objeto.

Woodo simplesmente aponta o caminho e deixa você continuar.

Porque o objetivo aqui não é provar que você é um gênio.

É terminar o diorama.


A arte de não fazer absolutamente nada com pressa

Existe uma tendência nos videogames de transformar qualquer atividade em competição.

Woodo vai na direção contrária.

Não existe inimigo.

Não existe cronômetro.

Não existe barra de vida.

Não existe chefe.

Não existe alguém gritando “VOCÊ TEM 30 SEGUNDOS!”.

Graças a Deus.

Você pode simplesmente sentar e explorar.

O jogo permite que você observe os cenários, procure os detalhes e descubra pequenas animações escondidas pelo ambiente. A própria apresentação em madeira reforça essa sensação de estar brincando com aqueles antigos brinquedos de montar que ficavam esquecidos em algum canto da casa.

E existe algo curiosamente satisfatório nisso.

Você encontra uma peça.

Arrasta.

Encaixa.

Clique.

Pronto.

Mais um pedaço daquela pequena história ganhou vida.

É quase ASMR para quem cansou de ouvir tiro, explosão e adolescente berrando no headset.

| Pequenas coisas fazem toda a diferença

O mais interessante é que Woodo consegue transformar tarefas extremamente simples em pequenas recompensas.

Você não está apenas procurando uma cadeira.

Você procura uma cadeira porque ela faz parte daquele cenário.

Não está apenas colocando uma fruta sobre uma mesa.

Está completando uma cena.

Não está apenas encontrando uma pecinha escondida.

Está descobrindo mais um pedaço daquele mundo.

E o jogo sabe trabalhar muito bem com essa escala reduzida.

Os personagens são pequenos.

Os objetos são pequenos.

As histórias são pequenas.

Mas o conjunto cria algo maior.

É como olhar uma maquete e perceber que, apesar de tudo caber na palma da mão, existe uma vida inteira acontecendo ali.

| Som, visual e aquele clima de “fica mais cinco minutos”

Visualmente, Woodo abraça completamente a proposta.

Tudo parece construído em madeira, com personagens e objetos que lembram pequenos brinquedos artesanais. Quando você começa a preencher o cenário, as cores aparecem progressivamente e a maquete deixa de ser estática.

A trilha sonora segue o mesmo caminho.

Nada tenta roubar sua atenção.

Ela acompanha.

A narração acompanha.

Os efeitos sonoros acompanham.

Tudo existe para manter o jogador naquele estado mental de:

“Só vou terminar esse diorama.”

Quarenta minutos depois:

“Só falta mais uma pecinha.”

E você percebe que acabou de cair no golpe mais gentil da história dos videogames.

A experiência completa também não é gigantesca — estimativas publicadas colocam a campanha na faixa de algumas horas — e isso combina bastante com a proposta. Woodo não precisa durar 30 horas para entregar sua ideia.

| O que acha rápido, e o que nem queria achar

Prós

  • Dioramas extremamente bonitos e detalhados
  • Gameplay simples, mas surpreendentemente envolvente
  • Excelente ritmo para jogar sem pressa
  • História integrada aos próprios cenários
  • Boa utilização de exploração e pequenos segredos
  • Sistema de dicas que evita frustração
  • Trilha sonora e efeitos sonoros combinam perfeitamente com a proposta
  • Ótima experiência para quem quer simplesmente desligar o cérebro

Contras

  • O gameplay pode ser simples demais para quem procura desafios tradicionais
  • Algumas peças escondidas exigem bastante atenção visual
  • A experiência é relativamente curta
  • Quem precisa de ação constante provavelmente vai pedir reembolso antes de terminar o primeiro diorama

| Vale a pena jogar?

Sim.

Mas existe uma condição:

Você precisa entender o que Woodo está tentando fazer.

Se você entrar esperando um puzzle capaz de fritar seus neurônios, talvez saia decepcionado.

Agora, se a ideia for jogar alguma coisa tranquila depois de um dia infernal, Woodo começa a fazer muito mais sentido.

Ele não quer que você prove nada.

Não quer que você seja rápido.

Não quer que você tenha reflexos de ninja.

Quer apenas que você encontre algumas pecinhas, coloque tudo no lugar e acompanhe uma história.

E, sinceramente?

Às vezes é exatamente disso que precisamos.

| Gameplay

| Veredito de quem montou muitos dioramas

Woodo

Woodo é praticamente uma sessão de terapia disfarçada de jogo.
É lento.
É simples.
É tranquilo.
E não tem vergonha nenhuma disso.
Enquanto boa parte da indústria parece determinada a transformar cada lançamento em uma experiência cada vez maior, mais barulhenta e mais cheia de sistemas, Woodo escolhe o caminho oposto.
Ele reduz tudo.
Um cenário.
Algumas peças.
Uma história.
Uma música tranquila.
E tempo para observar.
O resultado é uma experiência surpreendentemente agradável, que entende que videogame também pode ser sobre estar em algum lugar, e não necessariamente sobre conquistar alguma coisa.
Você monta os dioramas.
Foxy conta sua história.
As cores aparecem.
Os personagens se movimentam.
E, pouco a pouco, você percebe que não está apenas completando um puzzle.
Está reconstruindo pequenos momentos de uma vida.
E talvez essa seja a maior qualidade de Woodo:
ele não exige nada de você.
Só pede alguns minutos.
E entrega esses minutos de volta um pouco mais leves.

Woodo é para quem quer jogar sem pressa, explorar pequenos mundos e lembrar que videogame também pode ser simplesmente… aconchegante.
9.0 /10
Jogabilidade 9.0
Gráficos 9.5
História 9.0
Trilha Sonora 9.0
Duração 7.5

Autor

  • Gamer por paixão, programador de profissão, tenta manter de pé o site com sangue e suor, passa a maior parte do dia lidando com codigos e o que resta divide entre família, jogos e postar alguma coisa sem sentido no blog em idioma estranho, sou importado aqui... Joga tudo desde FPS até walking simulator, mas os quebra-cabeças são a sua paixão.

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