Todo jogo de zumbi costuma colocar você na pele do herói. O soldado. O sobrevivente. O sujeito que resolve tudo na base da espingarda e de frases de efeito.
Quarantine Zone: The Last Check faz exatamente o contrário.
Aqui, sua arma mais importante é uma lanterna. Seu maior inimigo não é um infectado correndo na sua direção… é um sobrevivente tossindo discretamente enquanto insiste que “é só uma alergia”.
E, surpreendentemente, isso funciona muito melhor do que parece.
| O que saber antes de começar o turno
- Seu trabalho é identificar quem está saudável, quem está infectado e quem representa um risco para toda a base. Um único erro pode comprometer dias de progresso.
- Conforme os dias avançam, surgem novos sintomas, mutações e equipamentos de inspeção, obrigando você a adaptar constantemente seu método de análise.
- Durante a noite, o simulador vira um jogo de defesa. Você controla um drone militar para impedir que hordas de infectados destruam o perímetro da instalação.
- O dinheiro obtido nas operações permite melhorar a infraestrutura do posto, enquanto os pontos de pesquisa desbloqueiam novas tecnologias e ferramentas de inspeção.
- Enviar sobreviventes para exames mais invasivos, decidir quem entra na zona segura e até alimentar o infectado usado em pesquisas ajudam a construir uma atmosfera pesada e cheia de dilemas.
- A falta de salvamento durante o expediente faz com que um fechamento inesperado do jogo obrigue o jogador a repetir um dia inteiro, tornando a instabilidade técnica seu maior defeito atualmente.
| Trailer
| Quando o terror está do lado de dentro do muro
Se Guerra Mundial Z mostrou o caos tentando entrar na última cidade segura, Quarantine Zone: The Last Check pergunta algo muito mais interessante:
Quem decide quem entra?
Você assume o comando de um posto de triagem na fronteira da zona segura. Centenas de pessoas chegam diariamente implorando por abrigo, mas basta um único infectado passar despercebido para transformar toda a base em um enorme buffet de carne humana.
A responsabilidade pesa.
E o jogo faz questão de lembrar disso o tempo inteiro.
Esqueça protagonistas musculosos salvando o mundo. Aqui você é, basicamente, o burocrata mais importante do planeta.
| Papers, Please… com mordidas, sangue e muito mais tensão
Se fosse preciso resumir Quarantine Zone em uma frase, seria:
Papers, Please encontra Guerra Mundial Z e resolve fazer estágio em Contraband Police.
A estrutura gira em torno de um loop extremamente simples.
Mas absurdamente eficiente.
Todo dia segue praticamente o mesmo ritual:
- organizar o posto;
- receber sobreviventes;
- conferir documentos;
- medir respiração;
- analisar olhos;
- procurar mordidas;
- escanear o corpo;
- revistar bagagens;
- decidir o destino de cada pessoa.
Parece repetitivo.
Na prática…
É exatamente aí que mora o vício.
Porque o jogo nunca deixa você relaxar.
Cada decisão parece carregar consequências enormes.
| Todo mundo mente. Alguns só escondem melhor.
No começo tudo parece relativamente simples.
Depois aparecem sintomas diferentes.
Novas mutações.
Febres estranhas.
Alterações na pupila.
Ferimentos escondidos.
Equipamentos novos.
Ferramentas mais complexas.
E quando você finalmente acredita que domina o processo…
O jogo muda as regras novamente.
Seu checklist mental cresce junto com a dificuldade, criando aquela sensação constante de evolução que poucos simuladores conseguem manter por muitas horas.
Existe sempre aquela dúvida:
“Será que estou mandando alguém saudável para morrer?”
Ou pior.
“Será que acabei de condenar toda a base?”
| Sim… existe inspeção de cavidades
Quarantine Zone não tem vergonha de exagerar.
Muito pelo contrário.
Quanto mais avançamos, mais invasivos ficam os procedimentos.
Escâner corporal.
Lanterna ocular.
Medição respiratória.
Revistas completas.
E, sim…
Chega um momento em que até inspeção de cavidades entra na rotina.
É aquele tipo de mecânica que faz você rir de nervoso enquanto pensa:
“Ok… definitivamente esse não era o emprego dos meus sonhos.”
| O zumbi de estimação é menos estranho do que parece
Poucos jogos conseguem apresentar uma ideia completamente absurda e ainda fazer sentido.
Se na quarentena algo der errado e um dos sobreviventes era infectado, aí terás o zumbi de estimação!
Seu trabalho inclui…
Alimentá-lo.
Com cadáveres.
É estranho?
Muito.
Mas dentro daquele universo funciona surpreendentemente bem e ajuda a reforçar a atmosfera sombria sem transformar tudo em puro gore gratuito.
É uma das pequenas ideias que dão personalidade própria ao jogo.
| De dia, bisturi. À noite, metralhadora.
Uma das melhores decisões dos desenvolvedores foi evitar que toda a experiência se resumisse à mesa de inspeção.
Quando anoitece, Quarantine Zone muda completamente de ritmo.
As hordas começam a atacar os muros.
Agora você assume o controle de um drone militar armado para defender o perímetro enquanto administra recursos, energia e melhorias da instalação.
É um contraste excelente.
Durante o dia, precisão.
Durante a noite, potência de fogo.
Essa alternância impede que o gameplay fique cansativo mesmo depois de várias horas.
| O verdadeiro chefe final atende pelo nome de “Crash”
Infelizmente…
Existe um problema sério na versão de Xbox.
E ele não pode ser ignorado.
Durante nossos testes, os crashes foram frequentes.
O jogo simplesmente fecha no meio do expediente.
Normalmente isso já seria irritante.
Aqui é pior.
Muito pior.
O sistema de salvamento grava apenas quando você encerra completamente o dia.
Resultado?
Se faltar um sobrevivente para terminar o turno e o jogo decidir fechar…
Você perde absolutamente tudo.
E precisa repetir cada inspeção.
Cada documento.
Cada decisão.
Cada revista.
Tudo novamente.
Foi necessário refazer alguns dias várias vezes até conseguir finalizar um turno inteiro.
Esse problema quebra completamente o ritmo e acaba sendo, hoje, o maior obstáculo para recomendar Quarantine Zone sem ressalvas.
| Visual e atmosfera
Visualmente, Quarantine Zone não tenta competir com grandes produções AAA.
Sua força está na direção artística e na atmosfera.
A fila de sobreviventes.
A tensão constante.
Os sons da instalação.
As noites silenciosas interrompidas por ataques.
Tudo trabalha para criar aquela sensação permanente de que qualquer pequeno erro pode custar caro.
É um daqueles jogos em que a ambientação faz mais pelo clima do que gráficos ultrarrealistas.
| Onde o sobrevivente era saudável e onde o zumbi morde
Prós
- Loop de gameplay extremamente viciante.
- Excelente mistura entre simulação, gerenciamento e estratégia.
- Progressão constante de ferramentas e sintomas.
- Atmosfera de tensão permanente.
- Alternância inteligente entre inspeção e defesa da base.
Contras
- Crashes frequentes na versão de Xbox.
- Sistema de save extremamente punitivo.
- Repetir dias inteiros quebra o ritmo da experiência.
| Vale a pena jogar?
Se você gosta de simuladores de gerenciamento, jogos de tomada de decisão e experiências que colocam pressão constante sobre o jogador, Quarantine Zone entrega exatamente o que promete.
Seu loop é viciante.
A progressão é inteligente.
As mecânicas evoluem naturalmente.
E a mistura entre inspeção, estratégia e defesa da base funciona melhor do que parecia no papel.
O problema é que, hoje, a versão de Xbox ainda sofre com uma instabilidade técnica que compromete bastante a experiência.
Não chega a destruir o jogo.
Mas consegue transformar um excelente simulador em um exercício involuntário de paciência.
Porque sobreviver ao apocalipse é difícil.
Sobreviver aos crashes… às vezes parece ainda mais.
| Gameplay
| Veredito de quem decidiu o destino de muitos
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