Games sumindo do Steam? De “Quake Champions” virando pago a títulos multiplayer fechando servidores, o mercado digital está em constante (e às vezes dolorosa) mudança.

O Que Está Sumindo (ou Mudando) no Seu Catálogo Digital

  • Múltiplos jogos serão removidos do Steam nas próximas semanas por diversas razões.
  • Títulos como “Vanguard of Armor” e “Three Kingdoms: Battle of Generals” terão seus servidores desligados, tornando-os injogáveis.
  • “Quake Champions” deixa de ser free-to-play e vira jogo pago exclusivo do Steam, com versões de outras plataformas sendo descontinuadas.
  • O ambicioso “Bot Colony” sai para dar lugar a uma versão “Redux”, gratuita e aprimorada.
  • Um problema regional persiste, mantendo “Helldivers 2”, “Horizon: Forbidden West” e “Watch Dogs: Legion” delistados no Reino Unido.
  • O shooter “’83” será retirado da venda por falta de investidores, mas seus servidores permanecem ativos para quem já comprou.

Preparem o espaço no HD, mas talvez seja para deletar em vez de instalar. A sensação de que nossos jogos digitais são apenas “alugados” nunca foi tão real. Nas últimas semanas, o Steam, e o mercado digital em geral, virou palco para uma série de anúncios que vão do melancólico ao, digamos, “esperto”. Não é novidade ver títulos sumindo, seja por licença, desinteresse ou simplesmente porque o ciclo de vida chegou ao fim. Mas a quantidade e a variedade de casos recentes acendem um alerta sobre o futuro de nossas bibliotecas digitais.

O caso mais drástico e que sempre machuca o coração do jogador é o desligamento de servidores. Dois títulos focados no multiplayer estão com os dias contados: o game de tanques free-to-play “Vanguard of Armor” e o estratégico “Three Kingdoms: Battle of Generals”. Ambos anunciaram que seus servidores serão desligados permanentemente em dezembro. Para quem investiu tempo e, quem sabe, dinheiro em microtransações, a notícia é um banho de água fria. Depois da data fatal, esses jogos viram meros ícones no seu launcher, completamente injogáveis. As empresas prometem planos de reembolso para saldos não utilizados, mas a experiência, essa sim, se esvai de vez.

Mas nem tudo é um adeus. Às vezes, é uma metamorfose, ou uma “redenção”. “Quake Champions”, o FPS frenético da id Software, abandonou seu modelo free-to-play e agora é um título pago de US$ 10, exclusivo do Steam. Se você jogou no Microsoft Store, a versão simplesmente sumiu, sem aviso prévio – uma mancada, para dizer o mínimo. A boa notícia para quem já tinha no Steam é que o upgrade é gratuito, e quem jogava no app da Microsoft pode linkar a conta Bethesda.net para manter o acesso. Adeus Battle Pass e microtransações, olá jogo completo, finalmente. Outro que muda é “Bot Colony”, um título de 2014 com IA de conversação. Ele será aposentado no dia 28 de setembro para dar espaço a “Bot Colony _redux_”, uma versão aprimorada, em 15 idiomas e com novos conteúdos, que chega em 30 de outubro. E o melhor? O _Redux_ será gratuito para baixar!

Para os fãs de nicho, o esporte tailandês em “The Killer Pass: Season 1” e a aventura japonesa “Re:Bloom” (que tinha apenas três meses de vida!) também estão de saída do Steam nesta semana. O mesmo acontece com a visual novel “Monomagia” até o final de setembro. Na maioria desses casos, a remoção é por questões de licenciamento ou ajuste de portfólio, mas quem já comprou pode continuar jogando offline. É um adeus silencioso, mas funcional.

E para completar o cenário de incertezas, há o caso dos blockbusters. “Helldivers 2” e “Horizon: Forbidden West”, dois carro-chefes da PlayStation no PC, além de “Watch Dogs: Legion” da Ubisoft, continuam misteriosamente delistados na Steam em regiões como o Reino Unido. Uma representante da PlayStation mencionou “um problema” com a Valve, mas dias se passaram sem solução. Enquanto isso, o shooter de guerra fria “’83”, que saiu do Early Access em abril, será retirado da venda. A Blue Dot Games confessou que a baixa contagem de jogadores simultâneos não atraiu investidores. A parte boa é que, para quem já comprou, os servidores permanecerão ativos – uma rara demonstração de consideração diante da situação comercial delicada.

Tudo isso serve como um lembrete: no mundo dos jogos digitais, nada é eterno. Nossas bibliotecas são mais como coleções de licenças temporárias do que bens duráveis. É um cenário dinâmico, que exige do jogador uma dose extra de atenção e, por vezes, um pouco de aceitação. Afinal, a indústria não para, e o sumiço de uns é apenas o prelúdio para o lançamento de outros.

A lição que fica é a mesma de sempre: jogos digitais são efêmeros. Seja pelo desligamento de servidores ou por mudanças de modelo de negócio, o que compramos hoje pode não estar aqui amanhã. É um ciclo que exige que a gente fique de olho, mas também aceite que a propriedade digital vem com suas próprias regras.


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